Lampiões urbanos lutam contra a injustiça

Por Mauro Fernando

(Do Rotunda)

maurofmello@yahoo.com.br

 

Personagens como um desempregado que sonha ver sua carteira de trabalho assinada, uma mulher cujo filho foi assassinado por policiais, um sambista que teve uma música roubada. Produção da Cia. do Miolo e da Cia. Pauliceia, a peça Relampião parte da mito de Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938), o Lampião, para iluminar a briga pela vida na urbanidade contemporânea. “São pessoas que vivem uma condição de abandono no circuito de trabalho convencional, estão à margem (da sociedade)”, explica o diretor Alexandre Kavanji.

Atriz representa personagens do abandono (foto: divulgação)

Atores representam personagens do abandono (foto: divulgação)

As circunstâncias sociais nas grandes cidades estão em foco. “A intenção é dar voz a esses personagens que têm uma carga de frustração, que têm sonhos interrompidos. É descobrir onde estariam os lampiões urbanos cuja característica é a luta contra a injustiça”, diz Kavanji. O ator Dudu Oliveira parafraseia Euclides da Cunha (1866-1909), autor de Os Sertões, para aproximar o universo do cangaço das primeiras décadas do século XX ao do urbano atual. “O brasileiro é, antes de tudo, um forte. Sobrevive mesmo na caatinga de concreto. Troca de pele, adapta-se para sobreviver”, compara.

O espetáculo de rua volta a São Paulo nesta quinta-feira (dia 31) – a apresentação está agendada para o Largo do Rosário, em Penha de França. “É uma peça bem urbana, que funciona bem em locais de efervescência, como a Praça do Patriarca e o Largo Treze de Maio, em São Paulo, e a Praça José de Alencar, em Fortaleza. Acabamos encontrando os próprios personagens (no público)”, afirma Kavanji. Oliveira destaca também três apresentações em Havana (Cuba). “Houve conexão (entre elenco e público) o tempo todo, apesar das línguas diferentes”, diz.

O diretor contabiliza cerca de 70 apresentações – a montagem estreou em setembro de 2012. Os atores Aysha Nascimento, Antonia Mattos, Dudu Oliveira, Edi Cardoso, Flávio Rodrigues, Francisco Gaspar e Harley Nóbrega compõem o elenco ao lado dos músicos Daniel Zacharias e Glauber Coimbra. Solange Dias assina a dramaturgia de Relampião. O texto aponta para uma perspectiva de transformação social? “Acredito que a peça proporciona uma reflexão. Percebemos uma identificação na rua, há uma sensibilização. Mas o quanto isso reverbera em mudanças não consigo saber. Embora seja um texto político, a preocupação é não sermos panfletários”, relata o diretor.

RELAMPIÃO. Dramaturgia de Solange Dias. Direção de Alexandre Kavanji. Direção de atores de Renata Lemes. Com a Cia. do Miolo e a Cia. Pauliceia. No Largo do Rosário, São Paulo, SP. Quinta-feira (dia 31), às 16h. Grátis.

 

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