Palestina ocupada

Joe Sacco por ele próprio – personagem de quadrinhos (imagem: reprodução)

Joe Sacco por ele próprio – personagem de quadrinhos (imagem: reprodução)

O ataque do exército israelense a uma escola da ONU em Gaza, na quarta-feira passada, com a morte de 15 refugiados, é uma aberração que representa mais um capítulo na história do massacre de um povo que vive sob humilhação e isolamento, sem seus direitos civis respeitados. A cada dia, o conflito parece se superar em termos de crueldade, já que as crianças têm se tornado vítimas indistintas entre os palestinos mortos.

A palavra aberração serve para o conflito porque se trata de uma guerra de forças desproporcionais. Enquanto Israel tem um exército de alta tecnologia apoiado por armamentos dos Estados Unidos, os palestinos reagem com foguetes de fabricação caseira que são interceptados e a população enfrenta os soldados nas ruas com paus e pedras.

O conflito é histórico e começou ainda no século 19 com o advento do Sionismo, um movimento político que defende a existência de um estado nacional judaico na região onde historicamente foi o Reino de Israel, segundo a crença judaica. Na época, 85% dos habitantes dessa região do Oriente Médio eram palestinos.

Nem sempre o noticiário é esclarecedor sobre os reais motivos que estão no centro da discórdia na região. “Nada do que se vê hoje na Palestina tem a ver com o assassinato de três israelenses na Cisjordânia ocupada, nem com o assassinato de um palestino na Jerusalém Leste ocupada. Tampouco tem algo a ver com a prisão de militantes e políticos do Hamas na Cisjordânia. E nem o que se vê hoje na Palestina tem algo a ver com foguetes. Tudo, ali, sempre, é disputa por terra dos árabes”, escreveu o jornalista Robert Fisk, do jornal inglês ‘The Independent’, em artigo reproduzido também nos sites Diário do Centro do Mundo e Carta Maior.

Uma leitura que pode ajudar a entender o que historicamente acontece em Gaza e na Cisjordânia está na obra em quadrinhos do jornalista Joe Sacco, que desde os anos 1990 faz incursões nas áreas palestinas para reportar o que se passa do lado oprimido. Reportar neste caso não é figura de linguagem. Os livros são reportagens em quadrinhos, em que Joe é um personagem em busca de informações.

‘Palestina, uma nação ocupada’ (editora Conrad) é o primeiro título do trabalho de Joe. O livro traz histórias curtas como fragmentos de sua permanência em cidades da Cisjordânia, como Hebron e Nablus. Sacco visitou hospitais e campos de refugiados, entrevistou feridos, conversou com pessoas comuns que perderam entes queridos ou guardam marcas do conflito e testemunhou episódios de abuso de autoridade. Seu outro título, ‘Notas sobre Gaza’ (Companhia das Letras), recupera a história do massacre de novembro de 1956, quando centenas de civis palestinos foram mortos pelo exército israelense.

 

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Um pensamento sobre “Palestina ocupada

  1. Caro colega Hélder,
    Seu texto “Palestina Ocupada” me fez acreditar que ainda temos profissionais de imprensa comprometidos com a dignidade humana. Infelizmente os sionistas do Estado bélico de Israel se acham “raça superior”, assim como Hitler achava os alemães. O ódio dos sionista e sua mente deformada produzem a insanidade da matança coletivo do povo Palestino. Os palestinos hoje representam a humanidade contra o mal e suas facetas. Nossa solidariedade aos palestinos. A favor da vida.
    Parabéns Hélder, continue na missão de relatar a verdade, apesar de certos editores comprometidos com Israel.

    Lamé
    Vereador em Guarulhos

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