Contos de Moçambique

Caia – Mulheres cantam música do repertório oral da cultura (fotos: arquivo Christian Piana)

Caia – Mulheres cantam música do repertório oral da cultura (fotos: arquivo Christian Piana)

Um livro de contos ilustrados que está em elaboração na editora Lamparina Luminosa, de São Bernardo, vai contemplar o leitor, principalmente os jovens, com histórias contadas segundo a tradição oral de Moçambique, país africano que tem o português como língua oficial e guarda com o Brasil uma relação histórica por conta do período de colonização.

Com previsão de lançamento no primeiro semestre de 2015, o livro surge como desdobramento de um trabalho que a editora faz desde 2009, voltado à preservação da memória, sabedoria e cultura popular.

Christian Piana, fotógrafo italiano que dirige a editora e vive desde 2005 em São Bernardo, passou três meses em Caia, um distrito de Sofala com cerca de 80 mil habitantes, na região central do país. Nesse período, abrigado por uma ONG italiana que desenvolve trabalho social em Moçambique, Piana fez entrevistas, tirou fotos, gravou vídeos, sempre em busca de testemunhos da cultura oral do povo.

“Eu fui lá para descobrir quais histórias contam, visto que eles têm grande tradição oral, e como isso é passado entre os mais novos e os mais velhos, que tipo de imaginário e crenças são mantidos, como essas histórias são usadas, se são realmente fortes, se têm a ver com o passado, enfim, os vários aspectos envolvidos”, afirma Piana.

O pesquisador e fotógrafo diz que as histórias coletadas em campo estão sendo elaboradas pela equipe de colaboradores da editora, buscando uma adaptação à linguagem literária, sem perder identidade com a expressão original. “Não faz sentido fazer mera transcrição das histórias”, afirma Piana, chamando atenção para a necessidade de levar em conta o papel impresso como um diferente suporte de linguagem.

O livro é destinado ao público jovem, mas pelo fato de resultar de pesquisa terá também um valor cultural, e poderá ser fonte de leitura por todos que tenham interesse sobre Moçambique e queiram até pensar sobre as identidades do Brasil com o país africano. “O trabalho vai manter a autenticidade da cultura e valorizar suas tradições”, diz Piana.

Fora desse projeto que o fotógrafo está custeando com recursos próprios, o trabalho da editora é apoiado pelos convênios chamados “Pontos de Cultura”, que destinam recursos públicos a projetos de caráter cultural. No caso da editora, esses projetos consistem em abrir à população a possibilidade de publicar um livro, viabilizando o processo de edição para pessoas que escrevem e gostam de literatura, mas não têm acesso ao mercado formal de livros.  A julgar pelo trabalho da editora, parece que estamos perto de um tempo em que a paixão pela escrita será suficiente para materializar livros.

 

COM 2

Contar histórias da tradição oral é um modo de o sujeito resgatar o seu protagonismo histórico

 

 

Musicalidade e oralidade são as autenticas expressões de um povo

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