Mulher-Aranha de fato

O artista italiano Milo Manara, autor de uma respeitável obra erótica em quadrinhos, criou para a editora norte-americana Marvel, que publica HQs de super-heróis, uma capa alternativa para um novo gibi da Mulher-Aranha, apresentado em julho em San Diego. O trabalho mostra a heroína com o corpo nu e pintado, alçando o topo de um arranha-céu em posição um tanto provocativa, começando a engatinhar, situação que esquenta a imaginação do leitor.

Mulher-Aranha – Corpo nu e posição erótica (Reprodução)

Mulher-Aranha – Corpo nu e posição erótica (Reprodução)

Manara não previra, mas a reação de aficionados em quadrinhos nos Estados Unidos foi de indignação. Ele foi duramente criticado por tratar a mulher como objeto, por criar sua obra a partir de uma posição supostamente machista. Além disso, os críticos questionaram a possibilidade anatômica de uma mulher estar naquela posição em uma situação real, como que exigindo verossimilhança do desenho, ou que aquela posição devesse ser “natural”. Houve uma artista, Karine Charlebois, que postou em seu blog um desenho “corrigindo” as formas improváveis do traço de Manara.

Em uma longa entrevista na imprensa italiana, o autor disse que “existe atualmente uma hipersensibilidade a imagens eróticas se espalhando, talvez devido às discussões em curso relacionadas ao Islã. Sabemos que a censura sobre o corpo da mulher não deve ser um traço ocidental. Isso também é bastante surpreendente para mim”. Em sua fala, Manara identifica a controvérsia como subproduto de uma onda conservadora que varre o Ocidente e também rechaça a exigência de objetividade na obra: “Na verdade, ela é vista um pouco de cima. Você não a vê mal. Acabamos de ver que ela tem uma bunda, elaborada desse modo. E ela é uma menina com uma bela bunda, sim, do meu ponto de vista”.

O ponto de vista de Manara é o de um homem pleno de desejo erótico, ao modo de um adolescente que tem a energia sexual transbordando o tempo todo. Foi assim que me vi (e gostei) ao ler ‘O perfume do Invisível’, um dos títulos do autor que foram publicados no Brasil pela Conrad. A história é inspirada no romance de ficção científica ‘O Homem Invisível’, de H. G. Wells, e na atriz Kim Basinger.

O livro de Manara é uma experiência divertida e também valiosa, porque provoca identidade e reflexão. O autor não está nem aí para o realismo, a não ser pela maestria com que representa o corpo feminino. Suas cenas e situações são produtos do seu imaginário erótico, de sua subjetividade que não se censura ao desenhar uma história. As mulheres de Manara andam nuas pelas ruas nuas, têm calor nas partes íntimas, gostam de transar com vários homens, são sodomitas e dizem muito sobre os desejos ardentes que todos guardamos secretamente.

 

 

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