Quase histórias

E AGORA, ALFREDO?

 

— Oi, querida. Estava me sentindo muito solitário aqui na praia, só escrevendo, sem você, sem ninguém pra conversar. Dias tristes. Coisa boa você chegar tão linda, cheirosa. Mas, Cacilda Becker, tinha que trazer sua mãe junto?

 

***

 

SENHOR

 

Não me queira mal por chegar assim: de mãos abanando. Cheguei como pude – sem terno, sem mortalha, sem roupinha melhor. Sem compostura. Compostura, aliás, nunca foi minha praia. Venho como vivi: quase pelado: de bermuda ordinária, camiseta, chinelos, assuntando inutilidades. Com cigarros no bolso, caixinha de fósforo na mão… Pode fumar aqui, Senhor?

 

***

 

DIÁLOGO NO BOTECO

 

— Então, como ficaram seus olhos após a operação?

 

— A mesma porcaria de antes. Tanto faz eu estar de óculos ou sem óculos. Enxergo a mesma coisa: muito mal.

 

— Se é assim, deixe os óculos em casa, seu Dodô. Pelo menos, o senhor se livra de carregar um peso desnecessário.

 

***

 

CÍRCULO VICIOSO

 

— Quintino, Quintino, meu amigo: você ficou rico, muito rico mesmo, depois que entrou na política, todo mundo sabe. Por que, então, continua fazendo trapaças?

 

— Para poder contratar advogados de ponta. A gente nunca sabe como será o amanhã. Essa gente cobra caro.

 

Orlando Silveira orlandosilveira@uol.com.brorlando3

Blog: http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/

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