Cultura caipira

Candido – Pesquisa de campo para desvendar a identidade do caipira (foto: divulgação)

Candido – Pesquisa de campo para desvendar a identidade do caipira (foto: divulgação)

Uma das contribuições da literatura modernista, durante o século 20, para a cultura brasileira surgiu da paixão de seus escritores em pesquisar a identidade dos brasileiros não nos livros, na cultura formal, mas na realidade, no dia a dia das pessoas, em que valores são transmitidos pela oralidade e as relações refletem os meios de sobrevivência.

Foi com a sensibilidade para dar estatuto de conhecimento àquilo que está na fala popular que surgiu grande parte da obra de Câmara Cascudo (1898-1986), autor de títulos que investigam gestos, expressões da fala, do folclore, enfim, um grande leque de manifestações. Mário de Andrade (1893-1945) também disse em suas cartas à Cascudo que o romance ‘Macunaíma’ foi influenciado pelas lendas e tradições da sabedoria popular, mas sem as referências geográficas, para que a obra não guardasse cunho regionalista.

Um livro que se inscreve entre as produções modernistas que buscam reconhecer nossas identidades é ‘Os parceiros do Rio Bonito, estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida’, do professor de literatura, sociólogo e escritor Antonio Candido. Escrito nos anos 1950, o livro foi apresentado como tese de doutorado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP). Sua elaboração reflete as visitas a campo que Candido fez no município de Bofete e seus vizinhos, como Tietê, Porto Feliz, Conchas, entre outros.

Candido chegou conviver por até 40 dias em um agrupamento rural, para conhecer de perto a realidade do personagem que povoou o interior de São Paulo, tem nos bandeirantes seus precursores e apresenta em seus costumes traços de influência que provém principalmente dos índios e dos portugueses. “Caipira” é um termo que muitas vezes é usado como motivo de chacota, mas sua real influência na formação do povo da cidade é manifesta em muitos momentos, como na alimentação e nas relações solidárias.

O livro é dividido em duas partes. A primeira traz um panorama da vida caipira tradicional, desde os tempos da colonização, no tocante a questões como habitação, alimentação, povoamento e relações sociais. Já a segunda parte traz os dados e questões pertinentes ao município de Bofete. Afora o texto bem escrito e as referências de estudiosos que enriquecem o trabalho de pesquisa, Candido considera no prefácio que o livro contribui para o estudo da reforma agrária no País, que não pode passar ser sem as referências culturais do homem do campo.

 

Antonio Candido - capa 2Os parceiros do Rio Bonito, estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida,

Antonio Candido, editora Ouro Sobre Azul, RJ, 2010, 336 págs.

 

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