A voz dos Black Blocs

Mascarados_black_blockDesde que os jovens ocuparam as ruas da cidade nas manifestações de junho de 2013, tornou-se rotina para a mídia e para boa parte da população reproduzir o discurso que classifica os ativistas mascarados da tática Black Blocs como vândalos, baderneiros e outras qualificações semelhantes. Todas elas parecem guardar em comum a reprovação incondicional à violência, mas também são rótulos que encobrem o que esses ativistas têm a dizer.

A falta de capacidade de ouvir o outro é um dos males do País hoje, é o que esteve por trás das manifestações de ódio durante o processo eleitoral no mês passado. As 2,5 mil pessoas que há poucos dias foram à avenida Paulista pedir a volta dos militares ao poder também mostram-se movidas por esse ódio, já que se dispõem a atropelar a democracia, porque não é possível suportar aquilo que é diferente ou as mudanças que o País conquistou.

Para os mais radicais e insensíveis, a triste notícia é que a realidade é multifacetada e se compõem da visão de todas as pessoas, inclusive, os Black Blocs, cuja voz pode ser conhecida no livro ‘Mascarados: A verdadeira história dos adeptos da tática Black Bloc’, de autoria da socióloga da Unifesp Esther Solano e dos jornalistas Bruno Paes Manso e Willian Novaes.

Desde agosto do ano passado, Esther pesquisou o grupo, acompanhando as manifestações. Ouviu dezenas de jovens e se concentrou na produção do livro para ajudar o leitor a entender um pouco mais sobre as razões da violência. Desde o princípio, os ataques aos bancos e ao patrimônio público na avenida Paulista, bem como os enfrentamentos com a Polícia Militar, mostram um caráter simbólico.

“A mensagem talvez seja que a sociedade não está pronta para assumir, por exemplo, que a raiva do Black Bloc é um sintoma, que os problemas estruturais da polícia são sintomas que estão explicitando as úlceras do atual modelo social brasileiro”, afirma Esther no livro, enfatizando que a realidade está além das verdades absolutas e que os jovens, a maioria de classe média baixa, buscam ser ouvidos.

O jornalista Bruno Paes Manso cobriu as manifestações dos Black Blocs como repórter do jornal ‘O Estado de S. Paulo’. Seu relato na segunda parte do livro mostra como o jornalista mudou sua visão do movimento ao longo da cobertura, não se resumindo simplesmente a classificar os ativistas como vândalos. Na parte final, o jornalista Willian Novaes reúne depoimentos dos jovens que protagonizaram os atos e traz também uma entrevista com o coronel da PM Reynaldo Simões Rossi, que foi ferido em uma das manifestações.

 

Mascarados: A verdadeira história dos adeptos da tática Black Bloc,

Esther Solano, Bruno Paes Manso e Willian Novaes, Geração Editorial, SP, 2014, 336 págs.

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