Parto humanizado

Melania – Respeito à autonomia da mulher (foto: divulgação)

Melania – Respeito à autonomia da mulher (foto: divulgação)

Uma leitora escreveu ao blog Livros & Ideias para fazer um contraponto a uma crônica publicada em outubro sobre ‘parto humanizado’. A história trazia a experiência do casal Renato Campos Rakauskas e Monalisa Di Giovanni Rakauskas, que optou pelo parto em casa, assistido por obstetrizes, para receber o pequeno Leonas.

No e-mail, a leitora destacou uma opinião do médico Drauzio Varella, publicada pela Folha de S. Paulo em novembro de 2012: “Fico chocado quando vejo uma mulher tendo um filho em casa. Falam sobre os nascimentos do passado em casa, com parteiras para justificar a ação, mas se esquecem de dizer quantas mães e bebês morreriam naquela época”. O e-mail também trazia links de matérias sobre problemas com parto humanizado no Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, no centro do Rio, e o caso de uma ativista australiana que morreu durante o parto em casa.

Creio que antes de optar por uma posição de defesa ou de oposição ao parto humanizado, e o parto em casa pode ser um de seus aspectos, é necessário buscar informações, como têm feito Renato e Monalisa, que continuam a defender uma abordagem alternativa ao predomínio de cesarianas, que na rede privada do Brasil chega a 88% dos nascimentos. Segundo Renato, uma boa referência sobre o assunto é o blog da doutora Melania Amorim (http://estudamelania.blogspot.com.br), obstetra PhD, professora-adjunta, doutora da Universidade Federal de Campina Grande (PB) e professora da pós-graduação do instituto de Medicina Integral de Recife (PE).

Num texto com o título ‘Parto Domiciliar: direito reprodutivo e evidências’, Melania aborda a escolha do local como direito da mulher. A médica também explica que o parto em casa só deve atender os casos de gravidez de baixo risco e que sua opção não significa uma volta ao passado, mas uma possibilidade dada por uma disciplina chamada Medicina Baseada em Evidências. “Não se compreende mais na atualidade o processo de tomada de decisão baseado exclusivamente nas concepções e na experiência do prestador de cuidado, uma vez que, por definição, Medicina Baseada em Evidências consiste na integração harmoniosa da experiência clínica individual com as melhores evidências científicas correntemente disponíveis e com as características e expectativas dos pacientes”, afirma.

No artigo, Melania trata também de índices de mortalidade no parto em hospitais e em casa, com referência a pesquisas realizadas na Europa. Uma delas, feita na Holanda com a análise de cerca de 680 mil partos, indica mortalidade de 0,15% em nascimentos em casa, que ela chama “partos domiciliares planejados”, e de 0,18% em hospitais. Essa diferença, pequena, revela que o parto em casa também pode ser seguro.

2 pensamentos sobre “Parto humanizado

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