Adeus a Chico de Assis

Chico de Assis – Mais que um dramaturgo, um pensador do teatro (foto: arquivo pessoal/Facebook)

Chico de Assis – Mais que um dramaturgo, um pensador do teatro (foto: arquivo pessoal/Facebook)

O teatro brasileiro perdeu neste sábado, 3, o ator e dramaturgo Francisco de Assis Pereira, conhecido como Chico de Assis. Em sua carreira, Chico foi também diretor teatral e compositor. Sua história está ligada ao grupo Teatro de Arena, para o qual entrou em 1958 e teve participações em espetáculos como ‘A mulher do outro’, de Sydney Howard (direção de Augusto Boal), ‘Eles não usam black-tie’, de Gianfrancesco Guarnieri (dirigido por José Renato), ‘Chapetuba Futebol Clube’, de Oduvaldo Vianna Filho, e ‘Gente como a gente’, de Roberto Freire.

Atualmente, a memória dos trabalhos do grupo, que existiu de 1953 a 1972, é mantida pelo espaço físico onde as peças eram encenadas, o Teatro de Arena Eugênio Kusnet, com 90 lugares, mantido pela Fundação Nacional das Artes (Funarte), do Ministério da Cultura, na rua Dr. Teodoro Baima, 94 – Consolação.

Segundo o jornalista e crítico de teatro Mauro Fernando, editor do blog Rotunda (http://rotunda.zip.net), Chico de Assis é representado principalmente pela autoria de peças como ‘O Testamento do Cangaceiro’, ‘As Aventuras de Ripió Lacraia’ (início dos anos 1960) e ‘Missa Leiga’ (dos 1970). “Esses trabalhos indicam a consciência crítica e o engajamento político que acompanham sua obra inquieta; a construção da síntese do homem brasileiro emoldurado pela estética popular – com humor, com inspiração no cordel, em chave épica – e a organização dos seminários de dramaturgia do Teatro de Arena fizeram dele mais que um autor, fizeram dele um pensador do teatro”, afirma.

Uma edição em dois volumes com os principais trabalhos de sua obra, com o título ‘Textos Seletos’, foi lançada em setembro de 2014 pela Funarte. No lançamento, com o Teatro de Arena lotado, Chico recebeu homenagens de amigos e companheiros de profissão, como o humorista Ary Toledo, entre outros. Em novembro, ele também foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, sob responsabilidade dos ministérios da Cultura, Relações Exteriores, Educação, Desporto e Ciência, Tecnologia e Inovação.

Chico de Assis nasceu em São Paulo em 1933, e iniciou sua carreira como ator de rádio em 1953. Dois anos depois, quis conhecer o novo meio de comunicação, a televisão, que chegava ao Brasil, e tornou-se ‘cameraman’ na Tupi e Record. Em 60 anos de trabalho, ele foi também formador de novos autores teatrais, por meio dos Seminários de Dramaturgia do Arena (Semda), que criou em 1989. “Chico de Assis tem a elaboração artística e o sentimento do mundo sempre ao alcance das mãos”, disse o presidente da Funarte, Guti Fraga, quando ‘Textos Seletos’ foi lançado.

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