O fim da conciliação de classes na República das Bananas

1. Haverá uma diferença nas eleições deste ano no Brasil. Uma diferença consolidada do que já se apresentava em 2014 como esboço. Não há mais conciliação de classes no país. É o que deixou bem claro o julgamento do ex-presidente Lula no TRF-4 em 24 de Janeiro. Ou nas palavras do professor Vladimir Safatle sobre o julgamento: “seu destino é a expressão do colapso de todo horizonte de conciliação na política nacional, com seu preço a pagar em moedas de grandes empreiteiras” (Folha de S. Paulo – 26.jan.18).

2. A observação de mais impacto sobre o julgamento decorre da derrocada dessa conciliação. A classe dominante no Brasil cada vez mais se faz representar pelo Judiciário, sem se incomodar com o equilíbrio de poderes ou outros ‘mimimis’ do estado de direito. O julgamento transforma as garantias constitucionais em ficção. Mera ficção. A letra da conciliação, a Constituição de 1988, já se torna letra morta.

3. Lula não pode ir para a Etiópia participar de Conferência sobre a fome. Seu passaporte foi tomado pela justiça depois que a unanimidade contra ele foi expressa no julgamento do TRF-4. Literalmente, é Lula que não pode viajar. Mas do ponto de vista simbólico é o brasileiro que não pode se deslocar. Não pode se deslocar no campo das ideias. Não pode ter o pensamento livre. O estado de exceção permite somente o que legitima a exploração. É a tentativa de pôr fim à subjetividade. Somente o que legitima o senso comum tacanho tem vez. O orgulho de ser brasileiro está ferido.

4. A concessão de TV no Brasil desde a ditadura civil-militar de 1964 criou um monstro. É um monstro, uma aberração, que não precisa mais ser representado no poder, mas que agora representa a si mesmo. Basta responder qual país você deseja para o futuro para estar em sintonia com esse monstro. Se você acredita que o país deve estar a seu serviço (na verdade a serviço da classe dominante), que a meritocracia é o caminho para conquistar prosperidade, parabéns, você está em paz com o monstro e cego para o fato de que as oportunidades não são iguais neste país.

5. Mas se você acredita que a luta política é um esforço coletivo, cuidado. Você é comunista e como tal será odiado.

6. O ódio é a expressão deste momento ou deste tempo. Ele canaliza o desejo de matar o outro, de aniquilar as diferenças e devolver o mundo à ordem, uma ordem que se expressa no paradigma positivista da bandeira nacional. Ordem é a hegemonização do pensamento. Pensamento é aquilo que legitima a exploração. Tudo o mais não é admitido.

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