À procura de carne de rã

carne de ra

Por Marina Moura

A princípio pensei que fosse banda punk ou coletivo feminista. Andando pelas ruas do Rio, o olhar que não consegue ficar sem catar letras nas paredes para decifrar, eis que vejo pelo menos pela 36ª vez o tal do anúncio de “carne de rã”, seguido de um número de telefone.

Embora pudesse me esconder atrás de prerrogativas jornalísticas, registrando informações “isentamente”, “narrando apenas pelo registro”, achei perigoso falar, de cara, sobre algo cuja origem desconhecia. Em tempos de cólera, melhor se precaver.

Afinal, a rendição. Perguntei pro Google o que poderiam ser aqueles atípicos anúncios de carne de rã. Deparei-me com curiosa matéria a respeito. Embora não esclarecesse definitivamente a origem do anúncio, a jornalista relata sua busca de três dias pela matriz de toda coisa, quando ela finalmente conseguiu falar com uma mulher que dizia ser de um ranário do interior que vendia rãs a R$ 60 o quilo, com entrega na Lapa.

Apesar de não saber o local do ranário, o que levanta suspeitas sobre sua existência, a mulher assumiu à jornalista que as vendas aumentaram substancialmente depois do surgimento dos anúncios de carne de rã pelas ruas do Rio.

Inconclusas conclusões

– Continuo achando que o Carne de Rã possa ser coletivo feminista ou serviço delivery de substâncias ilícitas – irônica, ousada e deslavada forma de anunciar venda de tóxicos nos muros, calçamentos e tetos nas proximidades das instituições governamentais da rua Primeiro de Março;

– A carne da rã está cara. Para quem acredita que a de frango é igual à da rã, sugiro continuar com a de frango, quem sabe até com os pés. Dizem que são nutritivos;

– Se quem produziu os anúncios de fato é criador e vendedor de carne de rã, a empresa devia estar no topo do ranking das melhores ações de marketing do ano;

– A matéria da jornalista, alertou uma amiga, é de 2014. Mas o anúncio é tão bom, literalmente “chiclete”, que perdura até este 2018, justificando meu olhar para as demais rãs da cidade e as observações que moveram esta croniqueta.

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