Antes de votar, leia

Aloysio Biondi – Radiografia da privatização nos anos 90 (foto: divulgação)

Aloysio Biondi – Radiografia da privatização nos anos 90 (foto: divulgação)

Este é o mês da reta final para o primeiro turno de eleições e para ter mais segurança ao definir o voto algumas leituras podem ajudar. Uma delas, com certeza, é o livro ‘O Brasil Privatizado’, do jornalista Aloysio Biondi (1936-2000), lançado em 1999 como uma radiografia do processo de privatizações durante a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Esse livro acaba de ganhar uma nova edição pela Geração Editorial, em que recebe introdução assinada pelo jornalista Janio de Freitas e prefácio de Amaury Ribeiro Jr., autor de ‘A privataria tucana’, da mesma editora, título que também se debruça sobre o assunto polêmico. Se não fizer questão do exemplar em papel, o leitor pode copiar uma versão em PDF no site da Fundação Perseu Abramo, que publicou a primeira edição do livro.

É importante ler sobre as privatizações para compreender um pouco sobre os interesses que estão em jogo na disputa pelo poder. Há, digamos, duas grandes tendências entre os candidatos: de um lado, a agenda liberal de Aécio Neves e Marina Silva, que defendem as privatizações e um estado de mínima interferência na economia e na vida cotidiana; e de outro a agenda de Dilma Rousseff e dos candidatos progressistas, em que o estado exerce interferência na economia, é voltado ao combate à pobreza e à prestação de serviços para reduzir desigualdades sociais históricas.

No livro, Biondi mostra que, em vez de defender o interesse do consumidor brasileiro, a agenda liberal dilapidou o patrimônio público do País ao abrir sem precedentes oportunidades de lucros para as empresas que adquiriram as estatais.

Com a apuração de dados oficiais da época, o jornalista demonstra que os propalados R$ 85,2 bilhões arrecadados com a venda de 48 empresas estatais viraram nada diante das contas escondidas do processo, como vendas de estatais a prazo, dívida dessas empresas que o governo “engoliu” para saneá-las, investimentos feitos antes da privatizações, demissões e indenizações trabalhistas que o governo fez, também para “limpeza”, entre outros fatores, perfazendo um total de R$ 87,6 bilhões.

Outro livro que o leitor encontra na Fundação Perseu Abramo é ‘A Armadilha da Dívida’, de autoria do economista Reinaldo Gonçalves e do historiador Valter Pomar, mostrando como a dívida pública interna prejudica o desenvolvimento do País que, no lugar de investir em obras sociais, tradicionalmente tem carreado a maior parte de seus recursos para cobrir custos financeiros. Essa é uma realidade que precisa mudar em um ritmo mais acelerado do que tem acontecido nos últimos anos.

Feira de economia solidária reúne artesanato e culinária sustentável

Evento no Jardim Jaqueline terá artesanato com reciclados, oficinas de alimentação e mobiliário, grafite e shows com o grupo Batukaí e o rapper Dugueto Shabazz

 

No sábado, 6, será realizada no Jardim Jaqueline (Zona Oeste) uma feira de economia solidária que apresentará à comunidade e visitantes produtos de cooperativas de trabalhadores que buscam formas alternativas e sustentáveis de produção e comercialização.

Quem conferir a feira, que será realizada das 10h às 16h, poderá conhecer artesanatos com materiais reutilizados, como tapetes e fuxicos feitos com retalhos, bolsas de pano, flores, pufes, cadernos e agendas de papel reciclado, roupas e acessórios, barra de cereais entre outros.

Fuxicos confeccionados com retalhos pelo grupo Amigas Arteiras (foto: divulgação)

Fuxicos confeccionados com retalhos pelo grupo Amigas Arteiras (foto: divulgação)

A feira será ainda uma oportunidade para o visitante conhecer ou trocar experiências sobre alimentação saudável, com menos desperdício e mais consciência. Oficina realizada pelo projeto Disco Xepa vai mostrar como reutilizar alimentos em boas condições, que sobram das feiras de rua. Em apoio ao movimento internacional de ecogastronomia Slow Food, o Disco Xepa já realizou mais de 200 eventos como esse, em 75 cidades e 15 países.

“A ideia é que a comunidade participe ativa e colaborativamente na elaboração das comidas apropriando-se de novos saberes culinários, além da ressignificação do que é lixo e do que pode não ser”, afirma Luciana Pellacani, formadora em economia solidária da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP-USP), que organiza o evento junto com o Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (CRSANS-BT), da Prefeitura de São Paulo.

Outra oficina vai mostrar como confeccionar mobiliário artesanal (pufes) a partir de resíduos reciclados. Todas as atividades da feira são gratuitas.

Rapper Dugueto Shabbaz fará apresentação na feira (foto: divulgação)

Rapper Dugueto Shabbaz fará apresentação na feira (foto: divulgação)

Um artista grafiteiro irá pintar um painel feito de madeirite ao longo do espaço da feira, com a participação do público. Além disso, o dia contará com música ao vivo com o grupo Batukaí e com o rapper Dugueto Shabbaz.

“Esperamos que o projeto dê novo sentido aos olhares para a questão dos resíduos sólidos e orgânicos, estimulando as pessoas a consumirem e produzirem de maneira mais responsável com o meio ambiente”, afirma Luciana. Ela diz que a feira propiciará um sábado de confraternização e entretenimento para a comunidade e para o público da cidade interessado em conhecer as ações concretas de economia solidária.

Serviço

III Feira de Economia Solidária no CRSANS-BT, sábado, 6 de setembro, das 10h às 16h, na Rua Nella Murari Rosa, nº 40, Jd. Jaqueline, entrada pela rua Basílio Levi – altura do km 14,5 da Rod. Raposo Tavares.

 

 

Confira os coletivos que participam da feira

Amigas Arteiras: artesanato feito a partir de retalhos reutilizados, como tapetes amarradinhos e fuxicos

Mãos na Massa: barras de cereais

Das Doida: artesanato com flores e pufes

Papel de Mulher: papel reciclado para cadernos, agendas, blocos de notas, entre outros

Todas por uma: diversos produtos artesanais

Candaces: roupas e acessórios

Cardume de mães: bolsas produzidas a partir de banners reutilizados

Modela Pano: brinquedos serigrafados

 

 

Entidades que apoiam a economia solidária

ITCP-USP: a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP-USP) é um programa de extensão universitária da Universidade de São Paulo (USP) que busca extrapolar os seus muros para fortalecer as iniciativas de trabalhadores dispostos à formação de uma Economia Solidária e popular com base no cooperativismo e autogestão.

CRSANS-BT: é o primeiro Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de São Paulo, localizado no Parque Raposo Tavares, no Butantã. O Centro funciona como ponto multiplicador de discussões e um local de atividades relacionadas à segurança alimentar e nutricional, que envolvem inclusão social e conscientização ambiental da comunidade. A ideia é transmitir os conceitos e técnicas relacionados a cultivo de alimentos saudáveis e de nutrição, para que os frequentadores levem o conhecimento para casa e disseminem o que aprenderam.

 

 

 

 

 

 

Mudança para a nova economia

Abramovay – uso parcimonioso da matéria e da energia

Abramovay – uso parcimonioso da matéria e da energia

Às vezes fico achando que é muito raso o discurso que defende exclusivamente que a economia deva crescer, que a presidente Dilma consegue promover apenas um “pibinho” ou qualquer baboseira semelhante. Se levarmos em conta questões como emissão de gases do efeito estufa, aquecimento global e apropriação dos recursos naturais pela indústria, veremos que o crescimento da economia da forma como vem se conduzindo no mundo nos levará ao caos ainda neste século.

Esse é a questão que está no centro do livro ‘Muito além da economia verde’, de autoria de Ricardo Abramovay, pesquisador e professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, a FEA-USP. O autor propõe uma mudança de paradigma na economia: em vez da busca do aumento da produção e do consumo, ele afirma que a “nova economia” deve se orientar por uma ética de cuidar do ser humano e do planeta.

Na prática, isso significa que é preciso mudar a relação da sociedade com a natureza e olhar para os recursos naturais, limitando a produção a um ritmo que possa assegurar a continuidade de sua existência, além de associar a inovação aos desafios sustentáveis para promover a eficiência energética e a redução de poluentes.

“Uma nova economia tem justamente a função de sinalizar que esses recursos não são infinitos e, ao mesmo tempo, ela estimula a criatividade no sentido de obter bens e serviços apoiados no uso cada vez mais inteligente, eficiente e parcimonioso de matéria, de energia e da própria biodiversidade”, afirma.

Mas essas medidas não bastam para resolver o problema, como mostra o autor, sendo necessário também repensar comportamentos e a própria cultura, como, por exemplo, o uso indiscriminado do automóvel, que está levando a sociedade a um colossal mal-estar.

O assunto é delicado, mas nem de longe passa por restringir o acesso dos menos favorecidos aos recursos.  Abramovay mostra que na verdade é preciso combater a desigualdade no que se refere ao uso dos recursos naturais, e isso também faz parte da transição para uma nova economia. Enquanto os norte-americanos e europeus têm um consumo anual de energia primária maior que o dobro do que seria recomendado para a sustentabilidade do planeta, algo em torno de 70 gigajoules per capita, os países menos favorecidos ou em desenvolvimento não chegam nem perto desse limite.

Fica claro que a redução dos gases poluentes e a luta contra a desigualdade no uso dos recursos são ações que se entrelaçam para levar a economia a um novo patamar na promoção do bem-estar social e na preservação do planeta.

Ricardo Abramovay - capa2Muito além da economia verde,

Ricardo Abramovay, Editora Abril, SP, 2012, 248 págs.

Foto: Divulgação

Economista da UFRJ analisa mudanças dos governos Lula e Dilma

Sicsú – Ato de rebeldia contra o catastrofismo dominante

Sicsú – Ato de rebeldia contra o catastrofismo dominante (foto: Divulgação)

A transformação social que aconteceu no País nos dez anos dos governos Lula e Dilma tem sido objeto de críticas e paixões, dependendo da ideologia de quem fala. De um lado, os conservadores ecoam que o Brasil é uma aberração; de outro, pessoas vivem oportunidades de trabalho e consumo que décadas atrás eram impensáveis e agora exigem serviços de saúde e educação de mais qualidade.

Para tirar um pouco o decênio 2003-2012 do plano ideológico e lançar um olhar sobre os dados econômicos e sociais do que aconteceu no País, o economista João Sicsú, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicou o livro “Dez anos que abalaram o Brasil. E o futuro?”. Trata-se de uma obra escrita em linguagem coloquial, que ajuda a entender um pouco mais sobre como as bases da economia tomaram rumo para permitir uma melhor distribuição da riqueza no País.

“Decidi escrever este livro como um ato de rebeldia contra a elite conservadora brasileira. Os conservadores querem apagar da história brasileira o decênio 2003-2012. Aliás, sempre reescreveram a história para contá-la da forma que melhor atendia aos seus interesses”, afirma o autor na apresentação do livro, lembrando também a questão da história como uma narrativa que se contamina pela ideologia de quem a escreve.

No período analisado, o programa de inclusão Bolsa Família tirou 40 milhões de pessoas da miséria e a classe C se expandiu para cerca de 95 milhões de pessoas. A classe C representava 34,96% da população em 1992 e atualmente concentra mais de 50% da população.

É bem provável que ao percorrer as páginas de Sicsú o leitor se surpreenda com alguma informação que desconhecia, visto que o lado o positivo do crescimento econômico e do exercício da política ficam muitas vezes esquecidos. Por exemplo: você sabia que o salário mínimo segue atualmente uma regra que garante o seu poder de compra e também sua valorização real se houver crescimento econômico? Desde que a inflação galopante foi cortada da economia, em 1994, o salário mínimo cresceu 150% acima da inflação.

Além de tornar a economia e a transformação social dos últimos anos mais transparente, o livro é também uma contribuição para o leitor pensar sobre a prática da política. “A sociedade deve discutir mais política e não menos. O nojo da política criado pela mídia dos barões é a causa do conservadorismo e, até mesmo, da corrupção”, afirma Sicsú.

 

João Sicsú - capaDez anos que abalaram o Brasil. E o futuro?

João Sicsú, Geração Editorial, São Paulo, 2013, 132 págs.